3. Classificação das Fissuras Labiopalatinas

A classificação mais utilizada no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) para as fissuras labiopalatinas é a proposta por Spina (1972) e modificada por Silva Filho et al. (1992). Essa classificação utiliza como ponto anatômico de referência o forame incisivo para classificar os tipos de fissuras labiopalatinas (Figura 1).

Figura 1 - Esquema representativo com as principais estruturas anatômicas 

Componentes da fissura do lábio, palato e foram incisivo

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).

Conforme Silva Filho et al. (1992), as fissuras labiopalatinas são classificadas das seguintes formas:

  • Grupo I - Fissura pré-forame incisivo (palato primário): quanto à lateralidade, pode ser unilateral direita, unilateral esquerda, bilateral e mediana. Podem ainda, serem classificadas quanto a sua extensão, como completa ou incompleta. A forma completa apresenta acometimento de lábio e de rebordo alveolar. Enquanto que, na forma incompleta o envolvimento do rebordo alveolar é parcial, sem ultrapassar o forame incisivo. A cicatriz labial pode fazer parte da forma incompleta da fissura pré-forame incisivo (Figura 2) (Trindade et al., 2025);

 

Figura 2 - Representação da fissura pré-forame incisivo 

 

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).

  • Grupo II - Fissura transforame incisivo (palato primário e secundário): esse tipo de fissura pode ser unilateral, direita ou esquerda, ou bilateral. Pode ainda, apresentar o copmprometimento da linha média, caracterizando a forma mediana, essa é mais rara. Esta fissura envolve tanto o palato primário quanto o secundário (Figura 3) (Trindade et al., 2025); 

Figura 3 - Representação da fissura transforame incisivo

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).

  • Grupo III - Fissura pós-forame incisivo (palato secundário): esse tipo de fissura pode acometer uma porção do palato duro e o palato mole, lembrando que sempre após o forame incisivo. Sua forma completa envolve palato duro e mole; enquanto que a forma incompleta pode envolver o palato duro parcial. Na forma incompleta podemos ter ainda a fissura do tipo submucosa (Figura 4) (Trindade et al., 2025);

Figura 4 - Representação da fissura pós-forame incisivo

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).

  • Grupo IV - Fissuras raras da face: para a classificação das fissuras raras de face, o critério utilizado foi proposto por Paul Tessier (1976) que utilizou como ponto de referência as pálpebras e as órbitas e conforme o envolvimento de tecido ou de osso, sugeriu uma classificação numérica, a qual varia de 0 a 14 conforme a estrutura envolvida. Aqui é mencionado apenas a fissura mediana (Tessier número 0), uma vez que consideramos a classificação proposta por Silva Filho et al. (1992).

De forma geral, de acordo com o tipo de acometimento da FLPI, outras alterações podem estar associadas, tais como dificuldades na fala (voz fanhosa, soquinhos e raspadinhos) e problemas relacionados à audição (perda auditiva transitória) (Trindade et al., 2025).