Guia informativo digital: fissura labiopalatina
Guia informativo digital: fissura labiopalatina
Resumo
Trata-se de um guia informativo digital, o qual foi elaborado como parte de dissertação de aluno de mestrado em colaboração com a professora Dra. Jeniffer de Cássia Rillo Dutka, com o objetivo de proporcionar uma compreensão detalhada sobre a fissura labiopalatina isolada. Esse material, em formato de livro com divisões em capítulos, é destinado aos profissionais de saúde e aos estudantes de graduação e pós-graduação do HRAC-USP.
Este guia informativo apresentado no formato de "Livro" contém os seguintes capítulos:
- Introdução às Fissuras Labiopalatinas
- Contexto Histórico das Fissuras Labiopalatinas
- Classificação das Fissuras Labiopalatinas
- Embriologia das Fissuras Labiopalatinas
- Epidemiologia das Fissuras Labiopalatinas
- Etiologia das Fissuras Labiopalatinas
- Prevenção das Fissuras Labiopalatinas
- Aconselhamento Genético nas Fissuras Labiopalatinas
- Referências
3. Classificação das Fissuras Labiopalatinas
A classificação mais utilizada no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) para as fissuras labiopalatinas é a proposta por Spina (1972) e modificada por Silva Filho et al. (1992). Essa classificação utiliza como ponto anatômico de referência o forame incisivo para classificar os tipos de fissuras labiopalatinas (Figura 1).
Figura 1 - Esquema representativo com as principais estruturas anatômicas

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).
Conforme Silva Filho et al. (1992), as fissuras labiopalatinas são classificadas das seguintes formas:
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Grupo I - Fissura pré-forame incisivo (palato primário): quanto à lateralidade, pode ser unilateral direita, unilateral esquerda, bilateral e mediana. Podem ainda, serem classificadas quanto a sua extensão, como completa ou incompleta. A forma completa apresenta acometimento de lábio e de rebordo alveolar. Enquanto que, na forma incompleta o envolvimento do rebordo alveolar é parcial, sem ultrapassar o forame incisivo. A cicatriz labial pode fazer parte da forma incompleta da fissura pré-forame incisivo (Figura 2) (Trindade et al., 2025);
Figura 2 - Representação da fissura pré-forame incisivo

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).
- Grupo II - Fissura transforame incisivo (palato primário e secundário): esse tipo de fissura pode ser unilateral, direita ou esquerda, ou bilateral. Pode ainda, apresentar o copmprometimento da linha média, caracterizando a forma mediana, essa é mais rara. Esta fissura envolve tanto o palato primário quanto o secundário (Figura 3) (Trindade et al., 2025);
Figura 3 - Representação da fissura transforame incisivo

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).
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Grupo III - Fissura pós-forame incisivo (palato secundário): esse tipo de fissura pode acometer uma porção do palato duro e o palato mole, lembrando que sempre após o forame incisivo. Sua forma completa envolve palato duro e mole; enquanto que a forma incompleta pode envolver o palato duro parcial. Na forma incompleta podemos ter ainda a fissura do tipo submucosa (Figura 4) (Trindade et al., 2025);
Figura 4 - Representação da fissura pós-forame incisivo

Fonte: figura adaptada de Trindade et al. (2025).
- Grupo IV - Fissuras raras da face: para a classificação das fissuras raras de face, o critério utilizado foi proposto por Paul Tessier (1976) que utilizou como ponto de referência as pálpebras e as órbitas e conforme o envolvimento de tecido ou de osso, sugeriu uma classificação numérica, a qual varia de 0 a 14 conforme a estrutura envolvida. Aqui é mencionado apenas a fissura mediana (Tessier número 0), uma vez que consideramos a classificação proposta por Silva Filho et al. (1992).
De forma geral, de acordo com o tipo de acometimento da FLPI, outras alterações podem estar associadas, tais como dificuldades na fala (voz fanhosa, soquinhos e raspadinhos) e problemas relacionados à audição (perda auditiva transitória) (Trindade et al., 2025).